Autor: António de Sousa Lara Formação / Entidade: Professor Doutor Catedrático em Ciência Política pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas - UTL Título: Imperialismo, Descolonização, Subversão e Dependência Editora: Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas Ano: 2002
Sinopse
Com a Cimeira de Nice, prepara-se a formulação final de mais um império, talvez o primeiro império do século XXI em termos de constituição, evoluindo-se, na União Europeia, para uma fórmula cada vez mais federal, na qual a Alemanha e mais duas unidades políticas maiores terão, sempre que o quiserem, uma maioria de bloqueio, com a nova partilha proposta de votos por Estado membro, a nível do Conselho de Ministros. Com a distribuição vindoura de votos para os países candidatos, oriundos da Europa de Leste, a fasquia da maioria qualificada sobe, de maneira a manter uma equivalência a cerca de 62% dos cidadãos da União, engenharia que, dê as voltas que vier a dar, já demonstrou de forma exuberante que o futuro do império europeu quer reproduzir a lógica da do Conselho de Segurança da ONU, que foi, também a da Santa Aliança, atribuindo aos maiores, pelo simples facto de serem maiores e mais fortes, um acréscimo de poder decisivo, transmitido a curto prazo ao controlo aristocrático do grande espaço.
Se somarmos a estes os mecanismos de natureza económica decorrentes da implantação do euro e do Banco Central Europeu, que no fundo é o Bundesbank alargado, com a previsível constituição do exército europeu, de uma polícia federal europeia, de uma diplomacia europeia e de todo o resto de instituições que constituem aquilo que Louis Althusser chamou de "aparelho repressivo", com inegável felicidade, temos um império constituído, de facto e de direito, a que só faltará um aspecto essencial, o calcanhar de Aquiles da Europa, que é uma ideologia de sustentação comum, suficientemente forte e mobilizadora para continuar o império. E faltando isto, o novo império só se poderá manter pelos interesses e por via da força, o que não deixa de ser exigente, partindo da lógica democrática e liberal como um dos dogmas fundacionais do mesmo império. Labels: Opusculus, Opusculus História, Opusculus Relações Internacionais |