Nome: Jeanne L. Wilson Nacionalidade: EUA Educação Doutoramento pela Indiana University Instituição: Universidade de Harvard
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Bibliografia seleccionada:
- Unexpected Partners: Russian-Chinese Relations in the Post-Soviet Era, to be published by M.E. Sharpe, Publishers (forthcoming late 2003, early 2004)
- "Strategic Partners: Russian-Chinese Relations and the July 2001 Friendship Treaty," Problems of Post- Communism, Vol. 49, No. 3 (May-June 2002), 3-13.
- "Prospects for Russian-Chinese Relations: Whither the Strategic Partnership," Asia Program Special Report, Woodrow Wilson International Center for Scholars, No. 99 (September 2001), 14-19.
1. Durante a Era Maoísta, as relações Sino-Soviéticas não acompanharam as ambições do Partido Comunista Chinês face ao seu aliado mais próximo. Quais as razões para esta aliança ambivalente?Eu acredito que existe um conjunto de factores, alguns baseados na história, diferentes estágios de desenvolvimento, diferentes interesses em política externa, etc. Eu não vejo o problema, como muitos fazem, como essencialmente ideológico. Antes, a declaração de Deng Xiaoping relativamente à Divisão Sino-Soviética é bastante persuasora: “A União Soviética não tratou a China no mesmo patamar.” 2. Os dois reclamaram, de alguma forma, a posse da doutrina socialista. Contudo, muitos foram os passos dados para fazer evoluir a ortodoxia introduzida pelo Marxismo-leninismo. Poderemos falar de uma nacionalização da doutrina entre as duas potências?Eu não estou muito certo sobre o significado de “nacionalização da doutrina”. Se se refere à noção da adaptação do Marxismo-leninismo às condições nacionais e cultura nacional, então penso que poderemos encarar que sim. Mao Tse Tung, por exemplo, foi muito explícito acerca da “Sinificação do Marxismo-leninismo” como uma necessidade para a sua adopção na China. 3. A Divisão Sino-Soviética foi mais do que uma dissensão ideológica; foi um reposicionamento global por parte das duas grandes potências. Quão profundo foi essa divisão?Pareceu ter ido bastante fundo, quando consideramos que os conflitos fronteiriços entre as duas potências em 1969 escalaram para uma confrontação militar bastante substancial. Em adição, poderemos considerar em relatórios da União Soviética que contemplavam um ataque nuclear à China. Mas o reposicionamento global acabou por ser prejudicial para os pois e um factor de desenvolvimento da “Política Tripartida” que trouxe os Estados Unidos para cálculos geoestratégicos. 4. Com a fragmentação da União Soviética, o PCC abandonou o seu posicionamento político como um país socialista na sociedade internacional. Poderemos falar de uma capacidade visionária por parte de Xiaoping em liberalizar alguns sectores da economia antes da fragmentação, ou terá apenas ocorrido quando não existia nenhum movimento socialista com o qual competir?Para ser técnica, o PCC não abandonou o seu compromisso ideológico face ao socialismo, nem ao Marxismo-leninismo como uma construção teórica. O que abandonou sim foi a prática do socialismo que historicamente concebeu e a adopção do modo capitalista de produção. A China começou este processo no final de 1978, mais de uma década antes da dissolução da União Soviética. A dissolução desta foi traumática para a China, não uma causa de alívio. 5. Com alguns analistas a argumentar contra a falta de transparência Chinesa no seu orçamento para a defesa, existem muitas preocupações relativamente a uma possível corrida armamentista queira ser espoletada em toda a região. Considerando as suas parcerias militares com a Rússia, quais são os enquadramentos relativamente às forças armadas de ambos os países?Mais uma vez não sei ao que esta pergunta se refere. Eu desconheço qualquer tipo de acordo militar bilateral entre a Rússia e a China. O Tratado de Amizade de 2001, ao contrário do Tratado de Amizade Sino-Soviética de 1950, não tem uma componente militar. Os dois Estados reiteram nos seus comunicados em conjunto e através de outros canais a sua unanimidade em matérias de defesa balística (de facto, isto não é bem verdade, pois eles não têm posições totalmente congruentes neste tópico), a militarização do Espaço Exterior, não-proliferação, etc. Os dois Estados participaram em alguns exercícios conjuntos, mais visivelmente na Missão de Paz 2005 e Missão de Paz 2007 (que foram tecnicamente componentes de operações da Organização de Cooperação de Xangai).
Também existe a questão de cooperação ténico-militar, o que significa a venda de armas Russas para a China, e a questão da profundidade com que os dois irão desenvolver projectos conjuntos de desenvolvimento. Contudo, no presente, a China chegou a um ponto de saturação em relação a algumas compras de armas, e está determinada em desenvolver a sua própria série de aviões de combate, assim esvaziando o contrato que assinou com a Rússia em relação a um acordo de licença para a produção das aeronaves SU-27 com motores e electrónica russas. A cooperação técnico-militar entre os dois parece ter estagnado.
Em relação às estratégias de defesa nacional dos dois, a Rússia continua a batalhar com questões de modernização militar e reforma, enquanto a China está claramente focada na modernização das suas forças armadas, com Taiwan como uma prioridade, e a aquisição de uma armada de alto-mar enquanto outra prioridade. 6. Apesar de relações de vizinhança comummente amistosas, existem conselheiros estratégicos Russos que alertam para a possibilidade de um pressão demográfica Chinesa transbordar na fronteira da Manchúria. Apesar de possuírem um Tratado de Fronteiras assinado depois da Guerra-fria, existirão algumas ameaças plausíveis em relação a este problema fronteiriço?Os relatórios que afirmar que milhões de Chineses vivem agora no Extremo Oriente Russo são fabricações claras, como é a percepção de que a China tem uma política explícita para tomar controlo da região. Mas a mera demografia torna esta uma questão preocupante para a Rússia: a área está parcamente populada, e com populações decrescentes em algumas regiões. Entretanto, o que é certo é que milhões de Chineses vivem na região da Manchúria. A Rússia enfrenta um desafio significativo em delimitar uma política de imigração operária com vista a atribuir à China uma entrada legal de mão-de-obra na região, e providenciar para a integração do Extremo Oriente Russo na comunidade Ásia-Pacífico. 7. Em termos de organizações internacionais, a Organização de Cooperação de Xangai é um instrumento vital nas relações da Ásia Central. Um “quintal” histórico da Rússia, quão politicamente activa e de sucesso é a organização em matérias de negociação dos interesses de ambos na região?A OCX foi originalmente uma iniciativa Chinesa, e os Russos não lhe atribuíram muita atenção na era Ieltsin. A Administração Putin acabou por reconhecer este facto como um erro, e as dinâmicas de interacção entre os dois estão mais equilibradas. A Rússia também tem outras vias, como a Organização do Tratado de Segurança Colectiva (OTSC). Os dois Estados partilham um importante e congruente interesse na estabilidade da região, na supressão de actividades terroristas, e na prevenção da ascensão dos EUA como um actor dominante. Ao mesmo tempo, são competidores económicos, especialmente em matérias de procura de energia, e a Rússia deseja preservar o seu papel histórico enquanto a força externa dominante na região. 8. Com a riqueza mineral da Rússia e a dependência devoradora da China em tais recursos, que futuro poderemos esperar desta interdependência económica? Quem beneficia mais de quem?Esta é outra área em que a relação entre ambos não está a atingir grandes sucessos. A China tem uma grande necessidade de energia, o que a Rússia possui, mas a Rússia prefere diversificar as suas relações energéticas na região Ásia-Pacífico. O governo Russo sobre a presidência de Putin não estava particularmente entusiasta sobre a possessão estrangeiras de companhias energéticas russas, daí que queira reter o controlo sobre o sector energético, ou pelo menos mantê-lo sob posse nacional privada na sua maioria. A actual situação em que o petróleo é transportado da Rússia para a China por comboio não é satisfatória em termos quer de custos quer de abastecimento, embora os dois Estados estejam em negociações há anos sobre projectos de oleodutos. Terá o projecto do oleoduto que vai desde a Sibéria Oriental até ao Oceano Pacífico uma bifurcação em direcção à China, ainda não é certo, apesar de anos de discussão. 9. Com as declarações dos presidentes Putin e Ahmadinejad em estabelecer um bloco de integração regional no Mar Cáspio, sobretudo em políticas de recursos minerais, a China aparece numa posição mais fragilizada em sustentar o seu desenvolvimento e ambições internacionais. Com um novo Grande Jogo em desenvolvimento, terá a China uma estratégia bem delimitada como aquela que possui para África?É óbvio que a China tornou-se um dos principais actores no mercado energético Africano. Eu acredito que as incertezas com África tornam uma estratégia bem delimitada muito difícil de atingir. Os Chineses encontram-se objecto de publicidade não desejada bastante considerável, em relação com as suas relações com o governo Sudanês. O problema em África não tem somente que ver com a negociação com outros competidores, mas com as complexidades em negociar com os governos nacionais que vendem energia. 10. A segunda paragem da ronda internacional inicial foi realizada em Pequim, com alguns receios, particularmente no Ocidente, acerca da crescente polarização da sociedade internacional. Para concluir, quais são as suas expectativas em relação à presidência russa em curso em eixo com a China, e outros?Eu calculo que as relações Russo-Chinesas continuarão a ser positivas, enquanto cada lado percepciona o desenvolvimento de uma relação no seu melhor interesse. No curto-prazo, pelo menos, os dois Estados continuarão a partilhar uma opinião congruente na maioria das problemáticas internacionais. Uma fronteira pacificada entre os dois também é do seu interesse. Os dois Estados também encontram a OCX como um mecanismo benéfico para abordarem questões regionais na Ásia Central. Apesar do comércio ter aumentado substancialmente entre os dois, parece haver pouca evidência de um desequilíbrio estrutural crescente entre os dois: para decepção da Rússia, a China está primariamente interessada nos produtos primários Russos, particularmente energia.
Apesar das afirmações feitas anteriormente, a relação técnico-militar não parece ter um grande futuro pela frente.
 Entrevistas anteriormente publicadas:
EM PORTUGUÊS:
- Doutora Raquel Patrício - A Emergência Brasileira nos contextos América Latina, EUA e Lusofonia [VER]
- Professor Emeritus Luiz Moniz Bandeira - As RI Brasileiras Históricas e Contemporâneas [VER]
- Vice-Almirante Alexandre Reis Rodrigues - Portugal e a Marinha Portuguesa no Século XXI [VER]
- Professor Catedrático José Adelino Maltez - Assuntos Vários [VER]
- Mestre Isabel David - A Importância da Europa Oriental nos Contextos Regional e Mundial [VER]
- Doutor Estevao de Rezende Martins - A História e a Filosofia do Mundo Contemporâneo [VER]
- Doutor Marcos Farias Ferreira - Os Fundamentos da actual Teoria das Relações Internacionais [VER]
- Doutor Amado Luiz Cervo - A História da Inserção Internacional do Brasil [VER]
- Doutor James Robert Russell - As Civilizações Arménia e Irania pré-Islâmica [VER]
- Doutor Eiiti Sato - A Política na História e Presente do Brasil [VER]
- Professor Doutor Moisés Marques - Os Novos Vectores da Política Externa Brasileira [VER]
- Doutor Fernando Nobre - O Percurso e Actuação da AMI [VER]
IN ENGLISH:
- PhD. James R. Russell - The Armenian and Pre-Islamic Iranian Civilizations [READ]
- PhD. Raquel Patrício - The Brazilian Emergence in respect to Latin America, the USA and Lusofonia [READ]
- Professor Emeritus Luiz Moniz Bandeira - The Historic and Modern Brazilian International Relations [READ]
- Vice-Admiral Alexandre Reis Rodrigues - Portugal and its Navy in the XXI Century [READ]
- Professor José Adelino Maltez - Various Topics [READ]
- PhD. Jeanne Wilson - Sino-Russian Relations in the post-WW2 Era [READ]
- PhD. Ilya Baryshev - US/EU Governance Crisis? [READ]
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