Nome: James Robert Russell Nacionalidade: Estados Unidos da América Formação: Doutoramento na Universidade de Londres Instituição: Universidade de Harvard Departmento: Department of Near Eastern Languages and Civilizations
(imagem retirada de: Harvard website)
Mais em: http://en.wikipedia.org/wiki/James_R._Russell James R. Russell @ Harvard
Bibliografia: Seminars taught: "Greece and the East" "Linguistics and Racism," House Seminar ("Four Alienated Visionary Writers of Cambridge: T.S. Eliot, Delmore Schwartz, Vladimir Nabokov, and William S. Burroughs") Introduction to the Zoroastrian Religion
Latest books: Zoroastrianism in Armenia Yovhannes T'lkuranc'i The Mediaeval Armenian Lyric Tradition .
A few recent articles: "Problematic Snake Children of Armenia" "On Mysticism and Esotericism amongst the Zoroastrians" "The Mother of All Heresies: A Late Mediaeval Armenian Text on the Yushkaparik" "The Armenian Shrines of the Black Youth" "Polyphemos Armenios" "An Epic for the Borderlands... the Mythologem of Alcestis in Armenia" "Ezekiel and Iran "Scythians and Avesta in an Armenian Vernacular Paternoster."
1. Nas regiões do Próximo e Médio Oriente, nos testemunhámos à emergência daqueles Antigos Impérios que iriam, mais tarde, fundar ou determinar a fundação de nichos de civilização que constituem a base de blocos culturais modernos, como os Iranianos, Egípcios, Turcos, Arménios, etc. Nessa óptica, parece que os Arménios conseguiram subsistir à passagem do tempo não obstante os seus rivais situados a Sul. De uma breve maneira, quais as razões que explicam a diferença entre o povo Arménio e os restantes?Os Arménios, depois da sua conversão ao Cristianismo, criaram a sua própria escritura e num século conseguiram reunir um corpo literário, simultaneamente original e traduzido, que afectou uma re-orientação cultural em direcção ao Mediterrâneo desde o Irão, assim estabelecendo uma poderosa e positiva identidade, tornando-os impermeáveis às influências externas destrutivas. 2. Apesar de tudo, as características inerentes a esses povos antigos são muitas vezes de difícil interpretaçção. Não só foram consecutivamente conquistadores e conquistados, como parecem ter sido o resultado de muitas tribos interligadas. Como poderemos explicar a relativa estabiliadde da civilização Arménia até ao Império Romano?A sociedade Arménia era conservadora, descentralizada, e baseada nos clãs; portanto não susceptível de qualquer forma de destruição que derruba os centros urbanos. 3. Não obstante os seus traços culturais bem distintos, foi uma sociedade que evoluiu graças a vários factores internos e externos. Um dos mais importantes afigura-se ser o Império Romano. Antes de Roma, os grandes impérios que dominaram o Próximo e Médio Oriente foram, à excepção de Alexandre, o Grande, talvez, influenciados territorial ou culturalmente pelas suas tribos regionais. Contudo, os Arménios conseguiram escapar a anexação romana e expandiram inclusive o seu domínio para Norte, quase "fechando" os mares Negro e Cáspio. Que influência terá o Império Romano tido na Cítia, o império Arménio nos séculos II e I a.C.?Os Romanos conquistaram alguns dos Sármatas e integraram-nos nas suas legiões. Mas a maior parte da Cítia encontrava-se demasiado logne para algum tipo de contacto - daí a relativa ignorância das fontes Clássicas em relação às línguas eslavas, por eexemplo, e a ausência de um intercâmbio cultural Cítio-Greco-Romano no litoral Norte do Mar Negro. 4. Na mesma época, embora com algumas variações, os Persas evoluíam do Império Elamita no século XIV a.C. para o Império Aqueménida nos séculos VI e V a.C. Como a sua bibliografia indica, os elos estabelecidos entre os Arménios e os Persas são vitais para entendermos esses períodos históricos, nomeadamente em relação ao Zoroastrianismo. Na literatura Portuguesa, contudo, essas matérias são muito esporadicamente, se de todo, investigadas. Frequentemente referida como a "mãe" de todas as três grandes religiões monoteístas, o Zoroastrianismo caracterizou de forma clara e fundamental todas as civilizações da região. Durante a sua investigação, que conclusões poderemos extrair dessa relação trilateral entre o Zoroastrianismo, os Arménios e os Persas?Os Arménios constituem a comunidade Cristã cujo substracto é o Zoroastrianismo, e isso torna-os inerentemente interessantes. É de questionar como seria um Irão num futuro contra-factual caso optasse pelo Cristianismo em vez do Islamismo. O mundo teria sido radicalmente diferente. Bem, os Arménios são um exemplo do que uma Cristandade Iraniana poderia ter sido. 5. Apesar da curta longevidade enquanto império Aqueménida, os Persas mantiveram a sua idiossincrasia ao longo da sua ocupação sob Alexandre, o Grande, e cedo emergiu para se tornarem ainda mais poderosos sob o reinado Sassânida. Será esta uma evidência de uma superioridade cultural dos Persas em relação às tribos e povos vizinhos, uma superioridade que eles chamam a si mesmo até ao presente?A cultura persa estima os valores da arte e os prazeres da vida, assim como a profundidade da literatura. A assimilação da cultura Persa raramente seria um vexame para os povos vizinhos; nesse sentido, as várias nacionalidades do Irão tendem a sentir-se enriquecidas. 6. De uma forma similar àquela dos Europeus, culturas externas também penetraram com profundidade nas tribos do Médio Oriente e estabeleceram gradualmente novas formas de coexistência, vida social, costumes, e organizações políticas. Enquanto estudava os Persas, de que forma a vinda de tribos do Azerbeijão e os Arianos da Europa ajudar a modelar as suas características civilizacionais de base?Os Turcos vieram da Ásia Central; a palavra Irão significa em primeiro lugar "Ariano". A sua questão é portanto um pouco confusa. 7. Enquanto especialista em Estudos Arménios e Persas, nomeadamente estes pŕe-Islâmicos, as conquistas Árabes sob o nome de Allah constituem inquestionavelmente um marco incontornável na História e Política do Médio Oriente. Contudo, eu recolhi informação junto de algumas fontes que alegavam que a Islamização das tribos da região, incluíndo os Persas, desenvolveu-se ao longo de um período temporal relativamente estendido, e chegaram por parte das elites governantes em direcção às camadas inferiores das populações. Que tipo de revolução sociológica e cultural trouxe o Islão para os Arménios e Persas, considerando a sua idiossincrasia e dificultosa assimilação por parte de impérios alienígenas?O Islão não trouxe nada para a Arménia, e os seus povos sofreram genocídio nas mãos dos Turcomanos e Kurdomanos Islâmicos. O Irão adoptou o Islão muito gradualmente, no decurso de três séculos, modificando a sua cultura. Mas ainda existem algumas tensões entre os conceitos culturais nativos e Árabes. 8. Parte dessa idiossincrasia é originária da mescla entre o Zoroastrianismo, Islamismo e a cultura Persa com as suas origens tão recuadas quanto o século XV a.C. Elaborando alguns comentários em relação à Pérsia Islâmica, e a importância que o conceito de Um'ma (comunidade Islâmica) teve para os Muçulmanos, como poderemos interpretar a posição de prolongada predominância por parte da Pérsia ao longo do século VII d.C. até à ascensão do Império Turcomano e a chegada dos Europeus ao Oceano Índico?9. Nas relações internacionais contemporâneas, a Arménia é regularmente mal interpretada enquanto cultura e sistema mais complexo de costumes, história e "interacção comunitária" do que poderíamos supor enquanto um povo anteriormente sob o jugo da União Soviética. Nesse sentido, que futuro poderemos esperar para a Arménia, depois de sobreviver aos Hititas, Árabes, Eslavos, Soviéticos, e tantas outras influências externas?De momento, a Arménia, como muitos outros Estados pós-Soviéticos, experimentou um desastre económico, depois uma bolha insustentável de crescimento, e entretanto o derrube de instituições democráticas nascentes e o estabelecimento de uma cleptocracia de gangsters. O seu futuro imediato afigura-se consideravelmente infeliz. 10. Enquanto estudante de relações internacionais, a avaliação da situação presente e passada de um Estado é da maior importância. Por conseguinte, o debate da política Iraniana tem esta particularidade acrescida por representar uma civilização milenar. Para concluir, poderemos concluir que a posição desafiadora em relação às potências externas, e a dominação em relação à sua região são de alguma forma traços culturais herdados do passado, ou serão meramente o resultado de circunstâncias mais recentes e conjunturais?Penso que estás correcto. O Irão vê-se a si mesmo como uma de poucas potências regionais rodeada por Estados que legitimamente vê como perigosos à sua própria estabilidade. Infelizmente o actual regime é em si mesmo fanático, desestabilizador, e na minha opinião, não representativo das opiniões moderadas e civilizadas da maioria dos Iranianos.
 Entrevistas anteriormente publicadas:
EM PORTUGUÊS:
- Doutora Raquel Patrício - A Emergência Brasileira nos contextos América Latina, EUA e Lusofonia [VER]
- Professor Emeritus Luiz Moniz Bandeira - As RI Brasileiras Históricas e Contemporâneas [VER]
- Vice-Almirante Alexandre Reis Rodrigues - Portugal e a Marinha Portuguesa no Século XXI [VER]
- Professor Catedrático José Adelino Maltez - Assuntos Vários [VER]
- Mestre Isabel David - A Importância da Europa Oriental nos Contextos Regional e Mundial [VER]
- Doutor Estevao de Rezende Martins - A História e a Filosofia do Mundo Contemporâneo [VER]
- Doutor Marcos Farias Ferreira - Os Fundamentos da actual Teoria das Relações Internacionais [VER]
- Doutor Amado Luiz Cervo - A História da Inserção Internacional do Brasil [VER]
- Doutor James Robert Russell - As Civilizações Arménia e Irania pré-Islâmica [VER]
IN ENGLISH:
- PhD. James R. Russell - The Armenian and Pre-Islamic Iranian Civilizations [READ]
- PhD. Raquel Patrício - The Brazilian Emergence in respect to Latin America, the USA and Lusofonia [READ]
- Professor Emeritus Luiz Moniz Bandeira - The Historic and Modern Brazilian International Relations [READ]
- Vice-Admiral Alexandre Reis Rodrigues - Portugal and its Navy in the XXI Century [READ]
Labels: Spatium10 |